Tal como muitos compostos químicos, chego à conclusão que também o amor sofre um processo de combustão espontânea, descontrolada e irreversível.
Um fogo-de-artifício fantástico, que coloca a alma em êxtase, deixando-nos cegos para o que temos em redor no resto da noite, estrondoso. Que acaba surdo, deixando a noite silenciosa, vazia, muda.
Uma lareira quente, cheia, que espalha cor e calor pela casa, confortando a alma, aquecendo o coração e o corpo. Que acaba frio, com restos de cinzas sujas e cinzentas, deitadas fora sem remorso.
Um castelo de areia lindo e elaborado, cheio de torres e conchinhas, alisado e acariciado com ternura, devagar, em prol de uma construção sólida. Que desaba perante uma onda salgada, restando nada mais do que um pouco de areia remexida.
Um bolo de chocolate, com cobertura e recheio, devorado com toda a gula merecida, que alimenta tanto o corpo como a sensação de prazer e gula, que satisfaz e lambuza. Que acaba num prato raspado e sujo, com pequenas migalhas, vestígios de algo que desapareceu.
Uma peça de teatro rica, com um argumento fantástico, divertida e preenchida. Que ao cair do pano, desaparece num palco sem sentido.
Não estou a organizar nada. Mas a participar!
Sim, que este ano vou querer ganhar muitos concursos, desses que andam aqui pela blogoesfera...
As regras passam por "seguir o líder" e publicar o link. Aqui fica e façam figas por mim...
http://lollytaste.blogspot.com/2012/01/1-g
Coisa estranha à minha pessoa nesta altura estou cheia de expetativas perante o novo ano. Eu que encaro estas mudanças de ano, com sequências normais num calendário, este ano quero e preciso de acreditar que algo está prestes a mudar, a acontecer, a descobrir.
Exige-se mudança para muito melhor. Mais amor, mais bem-estar, mais certezas, mais dinheiro, mais estabilidade, mais felicidade, mais gozo, mais humanidade, mais iguarias, mais jogos, mais karma, mais luz, mais mimo, mais novidades, mais otimismo, mais partilha, mais qualidade, mais risos, mais saúde, mais tu, mais unidade, mais vitórias, mais zen.
2012 vai ser muito bom. Tem de ser.
Merda para o amor. Hoje é o que me apetece gritar.
Amar dói inevitavelmente. Pela presença, pela ausência, pelo que se diz, pelo que se cala, pelo que se gosta, pelo que não se gosta, pelo que se deseja, pelo que não se pensa sequer, pelo que se aceita, pelo que não se aceita, pelo que se cede, pelo que não se cede, pelo que se acredita e espera, pelo que se desespera, pelo que se tem, pelo que se gostaria de ter, pelo que se vê nos outros, pelo que não se vê em nós, pelo que se esquece, pelo que se lembra, pelo que somos, pelo que não somos, pelo que o outro é e não é e poderia ser, pelo excesso de cor-de-rosa, pela ausência de cor-de-rosa, pelas noites em branco, pelas noites que não foram em branco, pela expetativa, pela desilusão, pela concretização, pela negação, pela certeza, pela incerteza, pela confiança, pela desconfiança, pelo subir pelo sonho, pela descida pela frustração, pelo poder de voar, pela impotência de agir, pelo calor, pelo frio gélido, pela felicidade, pela angústia, pela coragem, pelo medo, pela tranquilidade e segurança, pelo pânico e insegurança, pelo que se dá, pelo que não se dá, pelo que se recebe, pelo que não se recebe, pelo que se queria, pelo que se acredita merecer, pelo que não se merece, pelo que se faz, pelo que não se faz.
Merda para o amor. Por ser algo com que simplesmente é impossível lidar, moldar, encaminhar. Uma bomba que explode sem conter qualquer gatilho, ao mínimo toque ou pelo capricho da vida. Sem justificação, sem necessidade, sem justiça.
Merda para o amor que fere. Mais uma vez é só o que me apetece gritar hoje.
O natal chegou e foi, com a rapidez dos dias do calendário, marcado entre chegadas e partidas, encontros e desencontros.
Cada vez mais o natal é um núcleo, com um peso desequilibrado que fica entre o muito que recebo e o pouco que dou. Com a certeza que efetivamente há boa gente que me reserva um lugar no coração apesar da vida que teima em nos afastar no dia-a-dia. E como eu gostaria de poder dar mais, muito mais…
Nas casas onde vivemos o natal não há confeção de iguarias gourmet das receitas espalhadas na blogosfera, não há decorações natalícias home made perfeitinhas ou vindas de uma loja sofisticada, não há iluminação cuidada ou sons natalícios tranquilos… há um contínuo de confusão, de choro emocional nervoso, do “come mais uma coisinha”, há os mimos simples que valem ouro de quem pensa em nos agradar, em querer dar sempre mais, mais um pouco da alma.
O espírito de natal não se faz de votos obrigatórios, de palavras ocas, de sms de listas automáticas de contatos. Vive da vontade de partilhar e de estar junto. Sem quezílias, mesquinhices e birras sociais de quem leva a vida como um quadro de jogo a marcar pontos, do agora faço eu ainda melhor, amanhã tens de fazer tu, ou fico à espera que faças porque é tua obrigação.
E depois há os natais sem crianças e com crianças. Os natais das árvores estilizadas, com as prendas arrumadinhas, com as mesas direitinhas postas e decoradas com tempo, de loiça fina, de toalhas limpas e guardanapos a condizer, das conversas tranquilas e arrastadas à mesa, dos filmes ao longo da tarde ao lado da lareira, do acordar tarde e silencioso e pequenos-almoços prolongados especiais.
E os outros, os natais das árvores de enfeites já partidos, com bolas e reis de chocolate, das prendas remexidas, das toalhas de migalhas e açúcar espalhados e da nódoa do molho, do “come tudo senão não abre as prendas”, das birras, dos livros de instruções dos novos brinquedos e das peças espalhadas por montar, das pilhas que faltam sempre, dos sacos de lixo a abarrotar, da ansiedade, do papel espalhado por toda a casa, das correrias.
Fica a esperança de para o ano ainda ser melhor, fica o desejo de estarmos todos juntos outra vez. Fica a luz dos sorrisos sinceros de bem-querer. Fica a força dos abraços que aquecem o coração.
Há mulheres que por muito que estiquem o cabelo, usem sapatos de 20cm, vestidinhos da moda e acessórios certinhos serão sempre emplastros. Basicamente o porco até se pode vestir bem e estar limpinho, mas será sempre uma criatura assustadora.
A sério, há fronhas que assustam. Umas porque são feias como tudo, outras porque têm sempre aquele ar de pãozinho sem sal e outras aquele ar de vulgaridade que corrompe as imagens mais cuidadas.
Tenho pena destas criaturas.
E sim, eu queria que este blog tivesse mais qualidade, mas hoje deparei-me com mais uma destas personagens à entrada do comboio e enfim, saiu mais esta teoria espetacular.
Não tenho escrito, simplesmente porque ando numa tentativa de melhorar o blog. Não numa ótica de look cool-clean-girly, mas acima de tudo ao nível do conteúdo. Não preciso de mil e um comentários sobre banalidades. Não foi para isso que criei o blog, mas a blogoesfera às vezes é um remoinho e quase, quase que nos deixamos levar.
E apesar de ter resistido durante algum tempo vou ter de falar da campanha da Triumph. Adoro a campanha por todos os sorrisos que me provoca sempre que apanho as mulheres gastas a olhar de esguelha, de esperança perdida para os cartazes espalhados pelo metro. De uma forma negra quase que sinto uma vitória ao ver os olhares a caírem num misto de tristeza quando avaliam o fosso entre a sua imagem e a das meninas.
Adoro a campanha por todas as gargalhadas que me provoca sempre que após esse diagnóstico miserável as vejo criticar a magreza/anorexia dos corpos das modelos, a mestria dos jogos de luz e retoques do Photoshop, que elas afinal vivem muito bem com o que são. Adoro ver esta má-língua de auto comiseração, este amargo com que a vida temperou estas mulheres mesquinhas que se deixaram cair. Que não se importam e fogem do espelho (e não apenas do que está pendurado na parede).
Também me rio um pouco dos homens, os que criticam que ali estão meninas e não mulheres, porque não identificam nos corpos o desleixo, pneus e celulite das mulheres-marias que têm por casa. Rio-me quando imagino que lá por casa em vez de lingerie vermelha deve haver coisas como túnicas largas e sem forma e com sorte um pijaminha-polar vermelhinho no natal.
As modelos que lá estão, não foram fotografadas. A campanha publicitária, como outra qualquer, vende uma imagem, um conceito – não uma fotografia. Talvez nem elas se reconheçam depois de tanto trabalho artístico, não importa. Representam no anúncio uma imagem de beleza que pode ou não ser apreciada, mas que é a imagem de beleza duma marca, com que as pessoas podem ou não se identificar.
O que verdadeiramente acho muito triste é que novamente este seja o mote para se falar da mulher como boneca sexual, sem outro papel. Neste século e nesta sociedade quem acha que uma campanha publicitária tem esse objetivo deve ser muito frustrado. Ainda por cima uma campanha de lingerie (que como todas as mulheres e homens de verdade sabem só melhora a auto estima de uma mulher e depois, só depois, pode despoletar (mais) rapidamente alguns bons momentos com base nessa auto estima e na imagem projetada - e não necessariamente nas proporções físicas femininas e masculinas). Fico triste porque apenas revela que são as mulheres as primeiras a não gostarem de si, como são. E já se sabe a inveja é a mãe de muita insanidade.
Vivam as campanhas inspiradoras com musas e adónis, vivam as mensagens provocadoras que façam tremer as mentes, viva tudo aquilo que dê uma cor mais forte e diferente aos dias, viva tudo aquilo que provoque o desejo e o sonho pela vida, por qualquer vertente da vida, nem que seja um sorriso enquanto se espera pelo metro.
Throughout our long history we have been celebrating women. Always dedicated to creating alluring lingerie and the most fashionable shapewear that meets every woman's desires, we strive to bring out the best in her, enhancing her femininity, confidence, well-being and of course personality. http://www.triumph.com/tia/en/10388.html?Metade: Uma das duas partes iguais de um todo
Sempre me provocou muita urticária o termo das caras-metade, os companheiros perfeitos encontrados nos milhões de seres humanos espalhados pelo planeta, as sintonias musicais entre duas almas individuais, esse amor que se diz pleno, uníssono.
Primeiro, se são duas metades é suposto que haja um todo. E esse todo dirão já os românticos é o amor que sentem, a vida que partilham, os sonhos comuns.
Segundo, se são duas metades é suposto que se colem de alguma forma para criar o todo. E mais uma vez, dirão os românticos a cola é o amor que os une, os caminhos comuns da vida, as aspirações em coro.
Terceiro e por fim, se são duas metades, são iguais. E mais uma vez dirão os românticos são iguais por sentirem de igual modo, pelos sonhos gémeos, pelas preferências similares.
Não acredito nesse todo, nem nessa cola ou tão pouco nessa igualdade.
O todo do amor é muito mais do que dois indivíduos iludidos por fluxos de substâncias químicas (adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, oxitocina, serotonina e endorfinas). No puzzle do amor entram as peças da vida do eu, do nós, dos outros, do antes, do presente, do futuro, do “e se”, peças que se forçam quase até partir, outras que se partem, outras que se encaixam naturalmente, outras que se perdem, não há um todo. Logo não há partes iguais.
A cola? Há tantos fios invisíveis que nos prendem, quase tantos quantos os que nos afastam. Há fios fortes e fracos e nem sempre prevalecem os evidentes. As relações amorosas cor-de-rosa prendem-se pelo amor; mas as relações amorosas reais prendem-se tanto do amor, como de tantas outras coisas mais humanas como o medo, a carência emocional, a necessidade social de pertença, a sobrevivência, a estabilidade, a continuidade.
E essa igualdade? O amor é a coisa mais desigual, mais desequilibrada, mais injusta, nunca se dá na exata mesma proporção do que se recebe, não há resto zero na divisão da entrega, da força do sentimento, na expectativa.
Portanto se me veem falar de caras-metade, fico sempre apreensiva, tenho sempre a sensação que estou perante alguém que não percebe nada de amor, que fala em mais um cliché sem ter noção do que realmente tem no coração.
O amor é imperfeito. E é essa a sua verdadeira natureza. Querer encaixá-lo nas estantes dos romances é pura ficção literária.
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