Tal como muitos compostos químicos, chego à conclusão que também o amor sofre um processo de combustão espontânea, descontrolada e irreversível.
Um fogo-de-artifício fantástico, que coloca a alma em êxtase, deixando-nos cegos para o que temos em redor no resto da noite, estrondoso. Que acaba surdo, deixando a noite silenciosa, vazia, muda.
Uma lareira quente, cheia, que espalha cor e calor pela casa, confortando a alma, aquecendo o coração e o corpo. Que acaba frio, com restos de cinzas sujas e cinzentas, deitadas fora sem remorso.
Um castelo de areia lindo e elaborado, cheio de torres e conchinhas, alisado e acariciado com ternura, devagar, em prol de uma construção sólida. Que desaba perante uma onda salgada, restando nada mais do que um pouco de areia remexida.
Um bolo de chocolate, com cobertura e recheio, devorado com toda a gula merecida, que alimenta tanto o corpo como a sensação de prazer e gula, que satisfaz e lambuza. Que acaba num prato raspado e sujo, com pequenas migalhas, vestígios de algo que desapareceu.
Uma peça de teatro rica, com um argumento fantástico, divertida e preenchida. Que ao cair do pano, desaparece num palco sem sentido.
Portas de Casa
Portas do Contra
Portas de Mãe
Portas de Mulher
Portas de Pensamentos