Não tenho escrito, simplesmente porque ando numa tentativa de melhorar o blog. Não numa ótica de look cool-clean-girly, mas acima de tudo ao nível do conteúdo. Não preciso de mil e um comentários sobre banalidades. Não foi para isso que criei o blog, mas a blogoesfera às vezes é um remoinho e quase, quase que nos deixamos levar.
E apesar de ter resistido durante algum tempo vou ter de falar da campanha da Triumph. Adoro a campanha por todos os sorrisos que me provoca sempre que apanho as mulheres gastas a olhar de esguelha, de esperança perdida para os cartazes espalhados pelo metro. De uma forma negra quase que sinto uma vitória ao ver os olhares a caírem num misto de tristeza quando avaliam o fosso entre a sua imagem e a das meninas.
Adoro a campanha por todas as gargalhadas que me provoca sempre que após esse diagnóstico miserável as vejo criticar a magreza/anorexia dos corpos das modelos, a mestria dos jogos de luz e retoques do Photoshop, que elas afinal vivem muito bem com o que são. Adoro ver esta má-língua de auto comiseração, este amargo com que a vida temperou estas mulheres mesquinhas que se deixaram cair. Que não se importam e fogem do espelho (e não apenas do que está pendurado na parede).
Também me rio um pouco dos homens, os que criticam que ali estão meninas e não mulheres, porque não identificam nos corpos o desleixo, pneus e celulite das mulheres-marias que têm por casa. Rio-me quando imagino que lá por casa em vez de lingerie vermelha deve haver coisas como túnicas largas e sem forma e com sorte um pijaminha-polar vermelhinho no natal.
As modelos que lá estão, não foram fotografadas. A campanha publicitária, como outra qualquer, vende uma imagem, um conceito – não uma fotografia. Talvez nem elas se reconheçam depois de tanto trabalho artístico, não importa. Representam no anúncio uma imagem de beleza que pode ou não ser apreciada, mas que é a imagem de beleza duma marca, com que as pessoas podem ou não se identificar.
O que verdadeiramente acho muito triste é que novamente este seja o mote para se falar da mulher como boneca sexual, sem outro papel. Neste século e nesta sociedade quem acha que uma campanha publicitária tem esse objetivo deve ser muito frustrado. Ainda por cima uma campanha de lingerie (que como todas as mulheres e homens de verdade sabem só melhora a auto estima de uma mulher e depois, só depois, pode despoletar (mais) rapidamente alguns bons momentos com base nessa auto estima e na imagem projetada - e não necessariamente nas proporções físicas femininas e masculinas). Fico triste porque apenas revela que são as mulheres as primeiras a não gostarem de si, como são. E já se sabe a inveja é a mãe de muita insanidade.
Vivam as campanhas inspiradoras com musas e adónis, vivam as mensagens provocadoras que façam tremer as mentes, viva tudo aquilo que dê uma cor mais forte e diferente aos dias, viva tudo aquilo que provoque o desejo e o sonho pela vida, por qualquer vertente da vida, nem que seja um sorriso enquanto se espera pelo metro.
Throughout our long history we have been celebrating women. Always dedicated to creating alluring lingerie and the most fashionable shapewear that meets every woman's desires, we strive to bring out the best in her, enhancing her femininity, confidence, well-being and of course personality. http://www.triumph.com/tia/en/10388.html?
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