O natal chegou e foi, com a rapidez dos dias do calendário, marcado entre chegadas e partidas, encontros e desencontros.
Cada vez mais o natal é um núcleo, com um peso desequilibrado que fica entre o muito que recebo e o pouco que dou. Com a certeza que efetivamente há boa gente que me reserva um lugar no coração apesar da vida que teima em nos afastar no dia-a-dia. E como eu gostaria de poder dar mais, muito mais…
Nas casas onde vivemos o natal não há confeção de iguarias gourmet das receitas espalhadas na blogosfera, não há decorações natalícias home made perfeitinhas ou vindas de uma loja sofisticada, não há iluminação cuidada ou sons natalícios tranquilos… há um contínuo de confusão, de choro emocional nervoso, do “come mais uma coisinha”, há os mimos simples que valem ouro de quem pensa em nos agradar, em querer dar sempre mais, mais um pouco da alma.
O espírito de natal não se faz de votos obrigatórios, de palavras ocas, de sms de listas automáticas de contatos. Vive da vontade de partilhar e de estar junto. Sem quezílias, mesquinhices e birras sociais de quem leva a vida como um quadro de jogo a marcar pontos, do agora faço eu ainda melhor, amanhã tens de fazer tu, ou fico à espera que faças porque é tua obrigação.
E depois há os natais sem crianças e com crianças. Os natais das árvores estilizadas, com as prendas arrumadinhas, com as mesas direitinhas postas e decoradas com tempo, de loiça fina, de toalhas limpas e guardanapos a condizer, das conversas tranquilas e arrastadas à mesa, dos filmes ao longo da tarde ao lado da lareira, do acordar tarde e silencioso e pequenos-almoços prolongados especiais.
E os outros, os natais das árvores de enfeites já partidos, com bolas e reis de chocolate, das prendas remexidas, das toalhas de migalhas e açúcar espalhados e da nódoa do molho, do “come tudo senão não abre as prendas”, das birras, dos livros de instruções dos novos brinquedos e das peças espalhadas por montar, das pilhas que faltam sempre, dos sacos de lixo a abarrotar, da ansiedade, do papel espalhado por toda a casa, das correrias.
Fica a esperança de para o ano ainda ser melhor, fica o desejo de estarmos todos juntos outra vez. Fica a luz dos sorrisos sinceros de bem-querer. Fica a força dos abraços que aquecem o coração.
Portas de Casa
Portas do Contra
Portas de Mãe
Portas de Mulher
Portas de Pensamentos