Há coisas que parecem simples... mas que quando as tentamos realizar exigem escalar verdadeiras torres de Babel. Conhecermo-nos é uma dessas epopeias. Uma dessas viagens fantásticas, longas e intermináveis. Este blog é uma dessas viagens.
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
O fim de um amor
Nem todas as historias têm um final feliz. Todas terminam, com durações diferentes, por razões diferentes. Quando uma história termina, ficam memórias do passado e inevitavelmente aprendizagens para o futuro. Dos episódios vividos ficam sempre imagens, palavras, reconstituições de pequenos momentos mais ou menos verdadeiras.
Um livro que se fecha, do qual pela duração e ligação à história as personagens ficam agarradas na pele com saudade.
E, como nas histórias, as personagens vivem alheias ao destino final, criando o interesse possível para existir. Desde o inicio, cada passo conduz ao final.
A minha história com ele acabou. Estamos separados. Acabou o amor. Não há palavras que possam transmitir a crueldade e frieza do que significa o fim de um amor. O silêncio do vazio expressa tudo.
Sem dramas ou lágrimas. O amor não se inventa, não se cria, não se força. Uma aceitação pacífica de algo que se anunciava em pequenos múltiplos sinais. Mas o coração pensa sempre em lutar, em tentar mais uma vez.
Até que a razão diz que não, basta. E o orgulho ajuda. E um rio que corria junto para um fim maior separa-se em dois rios com direcções diferentes.
De repente, olhar para trás quase que deixa de fazer sentido, porque há coisas que só fazem sentido num quadro de amor e sem essa luz já não se compreendem, já não se destacam da escuridão do vazio. Quase.
Foram 10 anos de uma vida. Neste tempo acreditei ter ao meu lado o homem com que iria partilhar a vida. Enganámo-nos. Tal como o começo, o fim é sempre estranho. Abrupto, tosco. É tão difícil explicar como se começa como porque se acaba.
Mudanças profundas que se avizinham. Num misto de tranquilidade, coragem, tristeza, esperança, descoberta.
A vida ainda reservará muitas surpresas. Vamos lá abrir uma nova porta de mim.


Porta Aberta por claudia às 16:27
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10 comentários:
De mari a 29 de Janeiro de 2012 às 20:08
sinto muito muito muito muito muito ...
:(

que as mudanças que esperas sejam positivas para todos
beijo grannnde**


De claudia a 30 de Janeiro de 2012 às 11:57
Serão mudanças. Cabe a nós tentar que se revelem positivas. A razão implica o desejo de uma mudança sempre para melhor. Temos de acreditar que assim é. E fazer tudo por tudo para fazer razão das razões de viver...


De Lua a 30 de Janeiro de 2012 às 10:51
:( Lamento... Lamento mesmo... :(
Espero que, dadas as circunstâncias e dentro do possível, estejas bem... Se é que se pode estar bem num momento destes... :(
E porque as palavras nestas alturas nunca são suficientes, deixo-te um abraço e um beijo. :*


De claudia a 30 de Janeiro de 2012 às 11:55
Obrigada pelo abraço.
E sim, como escrevi no comentário à Iluminada, a estranha tranquilidade advém da sinceridade interior e até da forma como estamos os dois a lidar com esta fase.


De Iluminada a 30 de Janeiro de 2012 às 11:36
:-(
São mt tristes estas separações...não havera mesmo volta a dar?...como falas em orgulho...
É muito dificil a vida a dois, as interferencias de terceiros, a ausencia...mas 10 anos é muito tempo.
Espero que se ainda for possível consigam ultrapassar mais esta barreira.
Se não, força e acredita que quando a vida nos fecha 1 janela é porque ja tem uma nova porta aberta a nossa espera!
Coragem! para ti e para os teus meninos a quem acredito que tudo isto também custe muito...

P.S. Acho mesmo que devias pensar em escrever 1 livro. Por mais tristes que sejam sao sp tão bonitas as palavras da forma como as conjugas.


De claudia a 30 de Janeiro de 2012 às 11:53
Obrigada pelas palavras de coragem.
Sem dúvida que é um momento sensível, com profundas mudanças. Um momento em que estamos a tentar assegurar acima de tudo a estabilidade e tranquilidade dos meninos.
Não é fácil, mas apesar de tudo, esta estranha tranquilidade vive da sinceridade corajosa que temos de ter sempre connosco próprios, por mais díficil que sejam as decisões.

O livro continua um dos meus projetos na gaveta... um dia de certeza.


De Iluminada a 30 de Janeiro de 2012 às 12:20
Força entao! ja tens aqui uma leitora :-)

Gostei da expressão "sinceridade corajosa que temos de ter conosco próprios". Devia ser sempre isso a mover a vida nao é ? so que as vezes...acabamos por nos acomodar a tantas outras coisas...
ès uma corajosa por conseguir seguir o teu coração e certamente a vida tem para ti muitas e boas surpresas ainda por descobrir. Estou a torcer e espero que tudo corra da melhor forma e com o minimo de danos para todos.
Qt aos meninos, infelizmente hj em dia a realidade dos "pais divorciados" ja e tao presente...nas escolas, no seio dos amigos, da familia...mas com o amor de ambos hão-de saber recebe-la bem!




De claudia a 30 de Janeiro de 2012 às 12:43
A partir do primeiro dia em que se é mãe e pai os filhos passam sempre a ser a prioridade das nossas vidas.
Independentemente de crescerem numa família "tradicional", de um só pai, de pais separados, de uma só mãe, de distâncias ou presenças... independentemente do modelo possível, o importante é que se sintam sempre amados. E isso nunca nada irá alterar.
Pior é quando os filhos sentem que não há amor entre os pais e isso, mesmo quando não discussões ou conflitos, é um modelo que nunca pode ser nenhum exemplo. Porque não é isso que queremos lhes transmitir. O amor é parte da vida e é por ele que temos de lutar. Amar e ser amado tem de ser mais que um sonho, tem de ser a realidade dos dias. Dos nossos, dos deles. E é esse caminho que queremos que também eles trilhem, que assumam essa conquista.


De Tsuri a 30 de Janeiro de 2012 às 12:15
Oh Claudia, lamento tanto. É tão triste. Mas vejo que, apesar de tudo, sentes-te serena e isso, apesar de tudo, é bom.
Espero que estejas bem, dentro dos possíveis e desejo-te tudo de bom. Toda a força do mundo para ultrapassar esta fase menos boa.
beijinho grande


De claudia a 30 de Janeiro de 2012 às 12:23
Obrigada.

É triste, sim. Mas temos de aceitar todas as fases da vida, não fugir ou ignorar. Temos de olhar para dentro de nós próprios e sermos verdadeiros com as nossas expetativas, sonhos.


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