Tempo. Espaço. História.
Risos. Música. Cor.
Cumplicidade. Abraços. Memória.
Mimo. Amor. Sabor.
A felicidade é como um balão cor de rosa... Enche-se do ar das nossas ilusões e faz voar (às vezes demasiado alto) a alma. Porém, basta o mais pequeno dos alfinetes, o mais pequeno furo para que o balão rebente, num grito angustiante e se esvaia do ar de todos os sonhos, perca o rumo e caia numa rápida espiral sem sentido.
Há uma conspiração qualquer, a nível celestial, que não admite o voo destes balões nos píncaros durante muito tempo. Como se o éter estivesse reservado apenas aos milagres do divino e interdito a estes desejos mortais. E lá do alto (ou baixo) desta conspiração paranormal surge inevitavelmente o tal alfinete caprichoso, assim que o balão tem dimensão para chegar ao sol.
Lembro-me de uma célebre frase que diz “se queres que Deus se ria, conta-lhe os teus planos”. E afinal, acaso do destino ou da má sorte, sempre que tudo (me) está a correr bem surge algo que fura o balão.
Talvez com o passar dos anos o fôlego para encher balões sucessivos seja cada vez mais difícil de recuperar. Provavelmente os balões serão cada vez mais pequenos e em menor quantidade...
Mas por enquanto continuo masoquistamente teimosa. E volto a encher o meu balão cor de rosa tantas vezes quanto as necessárias.
Esta semana está a ser ultra exigente no trabalho. A nível pessoal a pequenina apanhou uma bronquite. Para além das noites mal dormidas, idas às urgências e pediatra, só hoje tivemos o aval para podermos ir de férias, cujo dinheiro investido ameaçava ter ido para o lixo, se ela não melhorasse. O mais velho anda eléctrico com a viagem. A empregada está de baixa por tempo indeterminado. Já paguei a colónia de férias de praia (este ano x2) dos filhotes para o próximo mês…
Mas volto a encher o balão. O voo é já amanhã e espera-nos uma pequena amostra do paraíso. E já agora, se alguém se lembrar de dar um (as)saltinho à casa fiquem sabendo que o problema com o alarme também já está resolvido e testado.
Definitivamente passear na Av. da Liberdade faz-me muito mal, deprime-me. Ficar ali especada nas montras (de que me vale a pena entrar…), escandalizar-me com os preços e suspirar…
Lá fui, com a desculpa para aproveitar este sol, a babar-me pelo vestido da Armani, pela gabardine da Burberry, pelas sabrinas cor de rosa da Louis Vuitton , pelos jeans da Escada…
E nota-se tão bem esta diferença no vestir e no estar. Para cúmulo, hoje ainda nem me tinha maquilhado e a roupita está assim para o ultra casual, o cabelo a precisar mesmo de um corte… E o reflexo destas montras fantásticas só contribuíram para baixar mesmo a moral.
Enfim, o sol estava mesmo fantástico.
Janeiro é o mês de eu me rir dos outros. Acho piada às pessoas que relatam o rol de prendas que recebem no natal. Às que inevitavelmente se esquecem com orgulho de metade da noite da passagem de ano e o comunicam porque foi uma festa de arromba. Ao mulherio desenfreado pela loucura dos saldos, mudanças de look e inícios de dietas. Ao pessoal com a roupinha nova ou com a malita nova a pavonear-se pela rua. Aos livros ofertados que se iniciam. Apraz-me seriamente ouvir as confidências de resoluções para o ano de mudar de trabalho, deixar de fumar, encontrar o príncipe encantado ou descartar o sapo, ser mãe, mudar de casa e afins. Ler na imprensa os mesmos artigos sobre as dicas económicas e organizadas para aproveitamento de restos, dieta saudável, ultrapassar excessos, enfrentar a crise, aproveitar as melhores compras, as pontes e os feriados do novo ano. E rio-me.
Afinal no meio de tanta mudança, tudo permanece igual, ano após ano. Simplesmente porque as pessoas não mudam. Vão mudando. Quando querem, mas acima de tudo quando podem. Porque é necessário sonhar, mas acima de tudo viver um dia-a-dia real. E sim, tudo um dia deveria ser melhor como sempre achamos que merecíamos. E talvez até o será. Mas não é pela agenda vazia que podemos marcar os compromissos da vida se reunir com a nossa felicidade.
Não há pai natal. Nem génio da lâmpada. Nem fada ou madrinha encantada. Não é sinal de falta de esperança ou pessimismo. É só a certeza que o meu espelho reflecte a minha vida hoje e não o que eu gostaria que um dia fosse. E isso significa enfrentar mais vezes o que está e o que se é, ao invés de suspirar em mudanças futuras.
Claro que é positivo querer ser melhor e ter uma vida melhor. Claro que sim. Mas queremos ser melhores, porquê? Porque gostamos tanto de nós que ainda queremos amarmo-nos mais? Não me parece, acho que é exactamente por não gostarmos de nós próprios que ansiamos a diferença. E queremos uma vida melhor, porquê? Porque esta é muito difícil, injusta? Até pode ser mas o que fizemos ontem e hoje para que fosse diferente?
Sonhar é giro, querer é engraçado… e rio-me destes saltos sem rede, antecipando sarcasticamente as quedas consecutivas ano após ano.
A todos os que têm entrado pela porta acompanhando as minhas histórias: desejo-vos que os próximos dias sejam vividos com alegria, partilhados com as pessoas que vos dão sentido à vida, saboreados com doces, recordações e bons momentos. Dizem que isto é um feliz natal, eu desejo que isto seja a minha e a vossa vida.
A todos os que celebram hoje o nascimento do filho de Deus, certamente que a data é festiva e rica em significado religioso. Que seja um abençoado natal. Eu gostaria de acreditar fervorosamente, vou acreditando, mas sinceramente não celebro o Natal com o espírito da religião. Respeito e admiro a fé dos outros.
Desejo-vos que celebrem a vida e o amor com o máximo de alegria possível.
Neste natal, a minha felicidade é a felicidade dos meus filhos que amo mais do que tudo no mundo, é a felicidade de manter este casamento que acredito basear-se e crescer com amor, é a felicidade de poder dar algo (tão pouco…) aos meus pais e irmã e estar com eles em paz num dia tradicionalmente especial. E são estas as três coisas que fazem sorrir a minha alma, no Natal e sempre.
Tentei adiar este post, prolongar-lhe a presença nos rascunhos, até que já não fizesse sentido e o pudesse eliminar tranquilamente. Porque soa demasiado a saudosismo. No entanto, mais do que nunca, a mensagem principal está para ficar e a cada dia é mais evidente.
Com o concerto dos Guns a semana passada confirmou-se, sem sombra de dúvida, a era actual: uma época sem aura, sem mística, sem espírito. Não fui, porque preferi confirmar à distância aquilo que me iria doer presencialmente: a queda da juventude, ou pelo menos, dos mitos que vivi na juventude.
Não foi só o ídolo, que já não existia há muito (sim, eu era uma daquelas teen amacacadas com gritos estridentes aos calções justos e ao cabelo comprido oleoso com a fita americana…). Foi o fim da era. Foi o fechar com estrondo a porta de uma fase da vida.
Sem sonhos da juventude. Sem hormonas disparadas. Sem inconsciência. Sem responsabilidade. Foi o dizer adeus à filosofia das letras escritas em climas (diziam eles) de drogas e que (talvez por isso) transportavam músicas eternas. Aquele espírito teen de viver a vida, entre escolas, flirts, tragédias romanas, telefonemas infindáveis, confidências, experiências. Entre as borbulhas na cara, os ténis all star, as calças levi’s deslavadas, os soutiens ainda de almofadas, a loucura dos olhares.
Ver a decadência do actual Guns e o saudosismo revivalista dos temas originais (pelo que os que foram comentaram), é saber que houve uma essência que um dia marcou vários anos das nossas vidas que se esfumou. Músicas que imprimiram magia grunge e rock aos momentos mágicos de sonhos sem que soubéssemos bem as reais consequências de os concretizarmos.
Foi a ilusão. Estamos na fase da realidade. A minha geração vive agora o confronto dos 30s. Já lá foram os anos da adolescência, passámos pelas expectativas e lutas nos 20s, e agora, sabemos o que queremos, o que queríamos e o que… temos.
A nível musical olho para o actual panorama musical e não consigo sentir aquela mística que só os solos do Slash e a voz do Axl imprimiam. Sem Guns, sem Metallica, sem Doors, sem Nirvana, Aerosmith, Pearl Jam ou até um Bon Jovi. Tudo o que se ouve não faz parar, faz dançar. Só se ouvem e vêm miudezas quase nuas com coreografias pimbalhadas.
Mexer, sem pensar. Efémero. Sem tocar na alma. Sem persistir. Sem simbologias.
No global, a vida está demasiado diferente. Os dias e as expectativas que tínhamos deles também. Agora há tanta coisa que mudou, outras tantas que deixaram de fazer sentido. E há coisas que mais vale ficarem fechadas, no baú das ilusões e das imagens do passado. Nunca voltarem, porque um fantasma é mesmo uma assombração, um espectro feio do que um dia foi e ainda se idealiza belo.
Porque quer na música, quer na vida, o que mais dói é ver cair as expectativas, os sonhos. E ver despontar frustrações…
Mexer, sem pensar. Efémero. Sem tocar na alma. Sem persistir. Sem simbologias.
A vida ensinou-me a não criar demasiadas expectativas. Encaro esta “sabedoria” como algo positivo, permitindo-me o luxo de minimizar o impacto de prováveis desilusões, frustrações e até antecipar o desenvolvimento de planos B…
Talvez faça parte da muralha que vamos construindo em redor do coração, à medida que crescemos. Vamos despindo a ingenuidade, a inocência e aos poucos abandonando as grandes esperanças, as grandes ambições. No fundo, faz parte duma estratégia defensiva e protectora do centro do nosso ser, com o objectivo de sermos e continuarmos felizes com o mínimo de dor.
Mas o não criar demasiadas expectativas traz uma desvantagem com um peso abominável: mina a capacidade para gerar grandes sonhos. Sonhos, da dimensão que nos cega e nos faz flutuar sem sequer pensar, que nos faz sentir poderosos donos de uma força capaz de virar o mundo ao contrário para agarrar a Lua. É certo que não se sofre a queda abismal do infinito inalcançável, mas também acaba-se por não viver a adrenalina fugaz dessa ascensão.
Esta armadura tem um capacete com um visor estreito. Permite ver o inimigo ao perto, mas limita a visão da paisagem ao longe.
Como primeiro post de 2010 gostaria de colocar algo inspirado, poderia falar sobre a passagem de ano, enunciar resoluções, mostrar-vos a minha joia nova, divagar... Poderia até publicar o post em rascunho sobre o meu top ten de 2009. Já perceberam que não vou fazer nada disso.
Começo 2010 apenas com algumas mental notes de desejos, ambições, projectos e excentricidades:
Criar negócio próprio (an old dream). Fazer pelo menos o test drive de um jipe topo de gama (ou fazer uma corrida num autódromo). Inventar tempo de qualidade com os meus filhos (24h?). Comprar umas botas de cano alto Louis Vuitton (excentricidade ao expoente máximo). Não fechar portas ao romance (loving love). Ser mais mulher e egoísta (exigir, exigir, exigir). Ir a um club de swing (no comments). Mudar de profissão (acredito demasiado em mim). Aprender a jardinar (adoro ver desabrochar flores). Comprar uma casa no Algarve (um lugar ao sol). Desligar a consciência (nunca gostei de grilos). Usufruir mais da minha cama (podem interpretar em todos os sentidos que quiserem). Controlar o orgulho público nas proezas dos meus filhos (pelo menos limitar o tempo de monólogo maternal). Descobrir o meu cabeleireiro (onde andas?). Dedicar-me ao luxo (porque eu mereço). Recomeçar a ler (tem sido um vazio...). Comprar um suporte para a minha rede brasileira. Fazer novos amigos (preciso de um restart social). Assumir a necessidade da futilidade e da ignorância (os seres geniais e profundos foram sempre infelizes e a maioria com mortes prematuras). Responder às bocas foleiritas de gajos com hormonas descontroladas (please). Fazer posts mais pequenos (eu e os sumários...).
E tenho muitos mais... A ir desvendando, cumprindo e adicionando novos. Desejar é sempre sonhar ao infinito.
Portas de Casa
Portas do Contra
Portas de Mãe
Portas de Mulher
Portas de Pensamentos