Há coisas que parecem simples... mas que quando as tentamos realizar exigem escalar verdadeiras torres de Babel. Conhecermo-nos é uma dessas epopeias. Uma dessas viagens fantásticas, longas e intermináveis. Este blog é uma dessas viagens.
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011
Nunca se sabe o amanhã

A vida dá muitas voltas. Há momentos que são autênticas espirais labirínticas, curvas e contra curvas, sem sinais de aviso. É nestas alturas que agarramos o leme e comandamos o barco.

Porque não há alternativa viável. O outro caminho é bater com a cabeça em mais um muro inesperado, ainda mais duro que o anterior que conseguimos (a custo) contornar. E bater com a cabeça, cair e afundar. Não é opção.

Nestas reviravoltas que nos afastam dos sonhos e expectativas planeadas, revelam-se a nossa força, a nossa fraqueza, os nossos medos reais. Conhecemos o eu que se esconde atrás da parte bonita e visível, aquela que maquilhamos, vestimos e mimamos. E esse eu, pode ser um eu racional, prático, directo que assume o controlo. Ou um eu, descontrolado, desesperado, perdido sem a concha.

A vida dá voltas, mas nessas voltas não gira sobre si. Continua, não pára. Continuam todos os outros, todas as responsabilidades, todas as obrigações, todas as relações.

Paira a ameaça de um cancro sobre alguém muito próximo. Por enquanto ainda nada está confirmado, amanhã será feito um exame e depois esperar pelo resultado. Claro que o pensamento é positivo, acreditar e ter fé em que isto seja apenas um susto que contribua para valorizar a vida que temos. Animar, tranquilizar, dar confiança.

No entanto, o meu lado mau e estupidamente egoísta recorda-me amargurado que quem agarra o leme fica sozinho no posto a conduzir um barco de fantasmas assustados.


sinto-me: Com esperança, força e fé
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Porta Aberta por claudia às 17:36
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010
Só queria que as coisas fossem simples

Dizer que a verdade liberta é uma utopia social.

As pessoas são más. Na essência da humanidade está a insegurança e o medo. E daí vem tudo o resto: a mesquinhice, a inveja, o egoísmo, a incompreensão, a arrogância, o orgulho, a mentira ou omissão.

E a verdade muitas vezes é para nós algo tão simples, tão lógico, tão justo, que não se encaixa na complexidade dos rituais sociais. Às vezes, o querer algo diferente que aos nossos olhos se assume natural, se assume como uma vontade única é visto pelos outros com um carácter depreciativo, uma sentença pesada pelo atrevimento de fugir à regra social e ceder à vontade individual.

Não me apetece relatar este episódio e novela familiar que me está a magoar bastante. Algo que resolvemos fazer da forma mais simples e justa e afinal se transformou e está a ser visto e vivido como algo completamente errado, condenável e mau.

O que magoa é que ninguém é perfeito e por muito que gostássemos de nos orgulhar de ter um caminho imaculado, todas as estradas têm curvas e todas as paisagens sombras. Ninguém devia dizer à boca cheia que determinada atitude ou decisão são inconcebíveis e pior, adivinhar e supor as piores razões para tal. Os outros até podem achar que fariam diferente, apesar de não estarem na nossa pele e por isso ser difícil/impossível afirmar tal com fiabilidade. Mas mesmo achando isso, supor razões maldosas que não existem, magoa, especialmente quando é falso.

Eu sei que é idiota escrever isto que não diz nada a quem lê e até é confuso de interpretar. Mas desabafar faz bem.

Infelizmente, ajuda pouco. Tão pouco como tentar explicar uma verdade que ninguém quer compreender ou aceitar.

 

Gunnar Bjorling disse: "Não podemos dar a verdade a quem quer decidir que aspecto é que ela deve ter."

 


sinto-me: Incompreendida
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Porta Aberta por claudia às 17:11
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Ressaca sentimental

Estúpida. Parva. Idiota. Burra. Cega.

Um dia destes este blog resvala para um diário sentimental, sem piada nenhuma...

 

 

É como me sinto hoje. Porque basta perdermos algo para valorizarmos o que tínhamos. Porque bastou deixar o filhote na escola, para voltar a ter saudades do tempo (ontem) em que andava aqui por casa aos berros e às birras. Porque bastará recomeçar a trabalhar para ansiar pela sexta-feira e ter vontade (todas as manhãs) de prolongar a minha estadia aqui por casa. Porque bastará deixar a pequenota na escola para sentir o meu colo vazio. Porque bastou o marido ir trabalhar para ter vontade de partilhar um pequeno almoço...

 

Afinal odeio o silêncio. Afinal odeio a solidão. Afinal quero que o tempo volte para trás e seja novamente o primeiro dia de férias, aquele em que o papá veio maluco do trabalho e fomos todos petiscar para o café...

 

Não me compreendo. E pronto, fica a culpa e o remorso por não ter aproveitado talvez o tempo (que parecia demasiado) disponível ao máximo, fica a culpa e o remorso por não ter arrastado as pernas para mais aquela corrida no jardim, fica a culpa e o remorso por não te ter dado o beijo que apaziguaria o cansaço...

 

Agora, remói, e remói, e remói... fico para aqui a ruminar as memórias e as minhas parvoíces.

 

Definitivamente, prometo que não volto a desabafar em forma de post. Mas neste momento não me sai mais nada.

 

 

 

PS - Hoje devo ter envelhecido uns 10 anos ao deixar o pirata na escola...


sinto-me: Demasiado silêncio...

Porta Aberta por claudia às 15:36
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Tempestade La Suegra - Parte I

Com o casamento surge uma figura extra na relação. Não, não estou a falar da mão de Deus que abençoa o sagrado sacramento do matrimónio, também não falo do necessário acordo pré-conjugal, nem tão pouco me refiro à psp instalada definitivamente na sala. Chega um momento em que todas as mulheres têm de lidar com a sogra, la suegra (à semelhança dos nomes que dão às tempestades).

Há sogras boas, há sogras que se suportam, há sogras más e há sogras autênticas cobras venenosas (percebem agora quem representa a bruxa má dos contos de fadas?... quantas vezes lemos as histórias e nunca percebemos!).

Lidar com sogras fora da rara categoria das boas exige muita inteligência, sangue frio, amor próprio e uma estratégia militar.

 

 

Este tema, dada a sua importância e âmbito exige prolongar-se por mais do que um post. Neste quero deixar o top (como não podia deixar de ser) das regras básicas para enfrentar e sobreviver à La Suegra:

 

  1. Nunca encostar o marido contra a parede: por muita razão que tenhamos, num duelo oficial entre mulher e mãe ele escolherá sempre o partido da mãe (por pena, por não querer ver, por pensar que nos pode dar a volta mais tarde, por querer ver a mãe feliz, por lavagem cerebral ao longo de 30 anos... seja por que for). A mulher sai sempre a perder. Amor de mãe é diferente de amor de mulher. Não se pode escolher entre eles.
  2. Nunca dizer que a mãe errou. Ele não entenderá, nem aceitará os nossos argumentos. Levá-lo a reconhecer que a mãe - daquela vez - estava enganada. Nem que seja necessário pintar a casa de cor de rosa (porque era a cor que ela queria) e vê-lo a procurar um buraco quando os amigos forem lá a casa. Da próxima vez ele vai pensar duas vezes e procurar outra opinião...
  3. Nunca interromper ou limitar o contacto entre eles. A mãe telefona de 5 em 5 m? Há formas de lhe cativar a atenção e tornar o telefone irritante, certo? Outra táctica é atender sempre o telefone e prolongar ao máximo a conversa, de preferência que ele vá ouvindo e se apercebendo que a mamã nos está a convencer sobre algo que ele não gosta e que nós até ali não nos importávamos (até pode ser sobre aquelas roupas que ele adora e ela detesta, sobre a velocidade louca com que conduz...). Ele entenderá que este contacto e a nossa nova consultora matrimonial não é saudável...
  4. Participar nos jogos sem fronteiras: se ela invade o nosso espaço, fazer o mesmo. Alterar a decoração da casa, impor mudanças deve ser sempre pago na mesma moeda. Tentem: emoldurar num quadro aquela fotografia terna de vocês os dois (de preferência com um beijinho amoroso e que ele adora) e presenteá-la. Ela terá que a exibir e obviamente que a moldura escolhida não combina com o estilo do seu doce lar... ela perceberá a dica. Oferecer-lhe uma daquelas plantas que suja o chão, sempre com folhas caídas (que trabalheira...). Este é o ponto das boas intenções. Aos olhos do filho são sempre gestos para ajudar, certo? Amor com amor se paga.
  5. Abrir sempre as portas da casa. A sogrita gosta de visitinhas frequentes surpresa? Nós também. Querido, a tua mãe está na porta. Podes sair do banho que vou-me vestir decentemente? Querido, a tua mãe chegou. É melhor convidares os teus amigos para outro dia, vou tentar que ela me ensine aquela receita (que ele gosta tanto e que demora uma eternidade). Querido, a tua mãe chegou. Tens de fazer a barba, arrumar o quarto rápido e nada de bebidas ao almoço, coitada. Não a queres desiludir, pois não? Ele vai propor um aviso prévio.

Por agora, ficamos assim, que o post já vai longo (e tenho que escrever mais nas próximas partes). Mas atenção só aplicar as regras a sogras mazitas... é que nós, noritas também podemos ser... maquiavélicas. Ninguém quer roubar o filho, só queremos que reconheçam o nosso espaço, nos respeitem e nos deixem ser felizes. Por vezes as piores sogras são as mais inseguras, mais sozinhas e temos que conseguir ver isso e saber ultrapassar para o bem de todos.

Todos mereçemos ser felizes... até as sogras.


sinto-me: Vacinada

Porta Aberta por claudia às 18:11
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