A vida dá muitas voltas. Há momentos que são autênticas espirais labirínticas, curvas e contra curvas, sem sinais de aviso. É nestas alturas que agarramos o leme e comandamos o barco.
Porque não há alternativa viável. O outro caminho é bater com a cabeça em mais um muro inesperado, ainda mais duro que o anterior que conseguimos (a custo) contornar. E bater com a cabeça, cair e afundar. Não é opção.
Nestas reviravoltas que nos afastam dos sonhos e expectativas planeadas, revelam-se a nossa força, a nossa fraqueza, os nossos medos reais. Conhecemos o eu que se esconde atrás da parte bonita e visível, aquela que maquilhamos, vestimos e mimamos. E esse eu, pode ser um eu racional, prático, directo que assume o controlo. Ou um eu, descontrolado, desesperado, perdido sem a concha.
A vida dá voltas, mas nessas voltas não gira sobre si. Continua, não pára. Continuam todos os outros, todas as responsabilidades, todas as obrigações, todas as relações.
Paira a ameaça de um cancro sobre alguém muito próximo. Por enquanto ainda nada está confirmado, amanhã será feito um exame e depois esperar pelo resultado. Claro que o pensamento é positivo, acreditar e ter fé em que isto seja apenas um susto que contribua para valorizar a vida que temos. Animar, tranquilizar, dar confiança.
No entanto, o meu lado mau e estupidamente egoísta recorda-me amargurado que quem agarra o leme fica sozinho no posto a conduzir um barco de fantasmas assustados.
Dizer que a verdade liberta é uma utopia social.
As pessoas são más. Na essência da humanidade está a insegurança e o medo. E daí vem tudo o resto: a mesquinhice, a inveja, o egoísmo, a incompreensão, a arrogância, o orgulho, a mentira ou omissão.
E a verdade muitas vezes é para nós algo tão simples, tão lógico, tão justo, que não se encaixa na complexidade dos rituais sociais. Às vezes, o querer algo diferente que aos nossos olhos se assume natural, se assume como uma vontade única é visto pelos outros com um carácter depreciativo, uma sentença pesada pelo atrevimento de fugir à regra social e ceder à vontade individual.
Não me apetece relatar este episódio e novela familiar que me está a magoar bastante. Algo que resolvemos fazer da forma mais simples e justa e afinal se transformou e está a ser visto e vivido como algo completamente errado, condenável e mau.
O que magoa é que ninguém é perfeito e por muito que gostássemos de nos orgulhar de ter um caminho imaculado, todas as estradas têm curvas e todas as paisagens sombras. Ninguém devia dizer à boca cheia que determinada atitude ou decisão são inconcebíveis e pior, adivinhar e supor as piores razões para tal. Os outros até podem achar que fariam diferente, apesar de não estarem na nossa pele e por isso ser difícil/impossível afirmar tal com fiabilidade. Mas mesmo achando isso, supor razões maldosas que não existem, magoa, especialmente quando é falso.
Eu sei que é idiota escrever isto que não diz nada a quem lê e até é confuso de interpretar. Mas desabafar faz bem.
Infelizmente, ajuda pouco. Tão pouco como tentar explicar uma verdade que ninguém quer compreender ou aceitar.
Gunnar Bjorling disse: "Não podemos dar a verdade a quem quer decidir que aspecto é que ela deve ter."
Estúpida. Parva. Idiota. Burra. Cega.
Um dia destes este blog resvala para um diário sentimental, sem piada nenhuma...
É como me sinto hoje. Porque basta perdermos algo para valorizarmos o que tínhamos. Porque bastou deixar o filhote na escola, para voltar a ter saudades do tempo (ontem) em que andava aqui por casa aos berros e às birras. Porque bastará recomeçar a trabalhar para ansiar pela sexta-feira e ter vontade (todas as manhãs) de prolongar a minha estadia aqui por casa. Porque bastará deixar a pequenota na escola para sentir o meu colo vazio. Porque bastou o marido ir trabalhar para ter vontade de partilhar um pequeno almoço...
Afinal odeio o silêncio. Afinal odeio a solidão. Afinal quero que o tempo volte para trás e seja novamente o primeiro dia de férias, aquele em que o papá veio maluco do trabalho e fomos todos petiscar para o café...
Não me compreendo. E pronto, fica a culpa e o remorso por não ter aproveitado talvez o tempo (que parecia demasiado) disponível ao máximo, fica a culpa e o remorso por não ter arrastado as pernas para mais aquela corrida no jardim, fica a culpa e o remorso por não te ter dado o beijo que apaziguaria o cansaço...
Agora, remói, e remói, e remói... fico para aqui a ruminar as memórias e as minhas parvoíces.
Definitivamente, prometo que não volto a desabafar em forma de post. Mas neste momento não me sai mais nada.
PS - Hoje devo ter envelhecido uns 10 anos ao deixar o pirata na escola...
Com o casamento surge uma figura extra na relação. Não, não estou a falar da mão de Deus que abençoa o sagrado sacramento do matrimónio, também não falo do necessário acordo pré-conjugal, nem tão pouco me refiro à psp instalada definitivamente na sala. Chega um momento em que todas as mulheres têm de lidar com a sogra, la suegra (à semelhança dos nomes que dão às tempestades).
Há sogras boas, há sogras que se suportam, há sogras más e há sogras autênticas cobras venenosas (percebem agora quem representa a bruxa má dos contos de fadas?... quantas vezes lemos as histórias e nunca percebemos!).
Lidar com sogras fora da rara categoria das boas exige muita inteligência, sangue frio, amor próprio e uma estratégia militar.
Este tema, dada a sua importância e âmbito exige prolongar-se por mais do que um post. Neste quero deixar o top (como não podia deixar de ser) das regras básicas para enfrentar e sobreviver à La Suegra:
Por agora, ficamos assim, que o post já vai longo (e tenho que escrever mais nas próximas partes). Mas atenção só aplicar as regras a sogras mazitas... é que nós, noritas também podemos ser... maquiavélicas. Ninguém quer roubar o filho, só queremos que reconheçam o nosso espaço, nos respeitem e nos deixem ser felizes. Por vezes as piores sogras são as mais inseguras, mais sozinhas e temos que conseguir ver isso e saber ultrapassar para o bem de todos.
Todos mereçemos ser felizes... até as sogras.
Portas de Casa
Portas do Contra
Portas de Mãe
Portas de Mulher
Portas de Pensamentos