Há coisas que parecem simples... mas que quando as tentamos realizar exigem escalar verdadeiras torres de Babel. Conhecermo-nos é uma dessas epopeias. Uma dessas viagens fantásticas, longas e intermináveis. Este blog é uma dessas viagens.
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Eu tive uma filha. E tu o que fizeste?

Em directo do mundo paralelo da maternidade, um post inspirado no universo das fraldas, leite, roupas minúsculas e muitas alterações hormonais (quase um post adolescente, portanto...).

 

 

Não sendo este um baby blog (seja lá o que isso for) não posso deixar de referir o marco destes últimos dias: já não estou grávida, o mesmo será dizer que a bebé nasceu.... a 29/04. Correu tudo muito bem, uma vez que sendo eu uma mulher do século XXI adopto incondicionalmente tudo o que sejam drogas (legais) e graças a uma epidural abençoada e alguns reforços, não houve nada de gritos, nem de cabeças de esforço vermelhas e banhadas em suor... deixo essas experiências masoquistas para as senhoras que resolvem trazer os filhos ao mundo em actos de coragem bárbara e cenários dramáticos de dor.

Recentemente um canal transmitiu uma reportagem sobre essas senhoras. Óbvio que não vi. Não compreendo essas atitudes. Os meus partos foram sempre muito pacíficos graças a um médico a que se chama anestesista e que nos permite desfrutar do momento. É um parto, um nascimento, não tem de se parecer com um filme de terror ou uma experiência animalesca...

 

Infelizmente o mundo está longe de ser rosa. E como o outro filhote está com varicela, temos estado muito afastados, pela primeira vez (garanto-vos que dói muito mais que o parto e não há anestesia possível). Apenas nos últimos dois dias pude estar uma horita com ele e aquele abraço aberto e alegre é a melhor coisa do mundo! Mas já começa a passar e em breve poderemos estar todos juntos nesta aventura.

Nestes dias de sol tenho estado aprisionada aqui por casa e o tempo acaba por ir-se arrastando na busca de um novo ritmo em que nos vamos aprendendo a conhecer.

 

Quero agradecer-vos a todos as mensagens de apoio que deixaram e que me surpreenderam positivamente. Obrigada e estou de volta...


sinto-me: Quem serás tu?

Porta Aberta por claudia às 12:42
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Telegrama

Filho com varicela. STOP.

Cegonha programada para amanhã. STOP.

Lei de Murphy activada. STOP.

Os meus esforços literários serão reencaminhados para outros fins. STOP.

Blog em stand-by. STOP.

Próximas novidades: next week. STOP.

 


sinto-me: Stand By

Porta Aberta por claudia às 13:55
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Inspiração Rectal

   

Apareces-te sem aviso,

Como qualquer surpresa...

Desconfiei incomodada, e sem juízo

acreditei que não seria nada com certeza.

 

Ingénua ignorância,

bendito desconhecimento

agora que te vi e te senti, a minha ânsia

é tirar-te do pensamento.

 

Até já tinha ouvido falar

como outros insignificantes apontamentos mentais,

coisas marginais, a não considerar,

efeitos secundários, danos colaterais.

 

Inferno terrestre, purgatório vicentino.

Respeito-te agora imperatriz encolerizada!

Despeço-me (para sempre) com este hino:

hemorróida externa trombosada.

 


sinto-me:
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Porta Aberta por claudia às 11:15
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
O que nunca ninguém diz sobre a gravidez

Considerando que é a minha terceira viagem por este estado de graça e de esperança reúno um conjunto de argumentos que fundamentam a tese deste post.

A gravidez é um estado especial. Diferente. Natural. Animal. Diferente, porque são meses de mutação física e hormonal, interna e externa. Natural, porque afinal trata-se de uma necessidade primária e social, associada ao instinto de sobrevivência, porque o corpo de fêmea assim foi concebido e é neste estado que se revela a função primária de muitas partes do corpo. Animal, porque é só assim que nos apercebemos que pertencemos à natureza, que apesar de racionais e superiores não controlamos nem o nosso corpo, nem a nossa alma, nem a vida que nele cresce milagrosamente.

 

De sonhos e pinceladas cor-de-rosa estão cheias as clínicas e os orçamentos das consultas e exames, de glamour são narradas as histórias e as expectativas nas revistas da especialidade, de sentimentos maternais e amores eternos são inspiradas as fotos dos recém nascidos, a dormir calmamente ou a sorrir.

 

Mas há coisas que ninguém divulga sobre a gravidez. Aqui fica o lado negro da gravidez.

 

  • não é possível nenhuma postura elegante a partir do 6/7 meses
  • não dá para acompanhar as amigas nas compras ou noitadas
  • agora que finalmente conseguimos ter o volume peitoral de uma actriz porno, a "lingerie" das grávidas assemelha-se à roupa interior das mulheres acima de 60 anos. Existem ainda umas cintas assustadoramente práticas e eficazes...
  • qualquer calça pendurada num cabide dá vontade de nunca ser utilizada (devem ser escondidas as jeans justinhas do período anterior, para evitar depressões)
  • o café, o bom vinho, os bolos recheados de creme são para abandonar ou partilhar com um sentimento de culpa avassalador causador de indigestão
  • é nesta altura que sempre me apetece fast food
  • inevitavelmente os saltos altos vão ser substituídos por aqueles sapatos confortáveis escondidos no armário
  • os pés e outras regiões abaixo da cintura desaparecem do radar e são confiados exclusivamente a especialistas profissionais para manutenção
  • o volume da barriga obriga a sexo como se pode ter e não como sempre se quer ter (para quem pode ter sexo, sim este pode ser um período celibatário...)
  • a posição de dormir na cama, as necessidades fisiológicas nocturnas, o desconforto levam a uma preparação inconsciente e materna para as futuras noites reguladas pela fome do baby (a conter os instintos assassinos ao gajo que dorme placidamente ao vosso lado)
  • a grávida é alvo de olhar raivoso pelos restantes membros da sociedade sempre que se aproxima de uma caixa de atendimento prioritário, lugares reservados ou passa à frente em qualquer sítio de atendimento ao público em pé
  • existe algo real a que se chama retenção de líquidos
  • conseguimos ver o interior do umbigo (sem necessidade)
  • não há remédios eficazes contra enjoos, azia, dores nas costas, peso da barriga ou outras mazelas a aguentar
  • o corpo incha (para além do aumento do peso, do volume... a cara, as pernas, as mãos, os pés incham!)
  • o sol cria manchas na pele
  • a ida a um restaurante inclui sempre um exame minucioso do cardápio com metade do prato rejeitado e um sentimento que podíamos ter comido melhor (quem não seja imune à toxoplasmose, abstém-se de saladas, insiste em que a carne venha queimada e devolve os pratos que os empregados insistem em trazer acompanhados com salada, mesmo após supostamente o terem escrito antecipadamente) 
  • o levantar do sofá ou da cama assemelha-se na perfeição ao movimento de uma tartaruga ao contrário ou leão marinho

Existem ainda coisas bem mais desgraçadas, a viver no parto e pós parto. Mas desses nem as revistas, nem o marketing resolvem falar abertamente.

 

São períodos especiais. Intensos. De extremamente boas e más experiências. De momentos eternos. De sensações íntimas. São definitivamente rituais de passagem a uma outra dimensão de mulher.


sinto-me:
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Porta Aberta por claudia às 16:01
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