Em directo do mundo paralelo da maternidade, um post inspirado no universo das fraldas, leite, roupas minúsculas e muitas alterações hormonais (quase um post adolescente, portanto...).
Não sendo este um baby blog (seja lá o que isso for) não posso deixar de referir o marco destes últimos dias: já não estou grávida, o mesmo será dizer que a bebé nasceu.... a 29/04. Correu tudo muito bem, uma vez que sendo eu uma mulher do século XXI adopto incondicionalmente tudo o que sejam drogas (legais) e graças a uma epidural abençoada e alguns reforços, não houve nada de gritos, nem de cabeças de esforço vermelhas e banhadas em suor... deixo essas experiências masoquistas para as senhoras que resolvem trazer os filhos ao mundo em actos de coragem bárbara e cenários dramáticos de dor.
Recentemente um canal transmitiu uma reportagem sobre essas senhoras. Óbvio que não vi. Não compreendo essas atitudes. Os meus partos foram sempre muito pacíficos graças a um médico a que se chama anestesista e que nos permite desfrutar do momento. É um parto, um nascimento, não tem de se parecer com um filme de terror ou uma experiência animalesca...
Infelizmente o mundo está longe de ser rosa. E como o outro filhote está com varicela, temos estado muito afastados, pela primeira vez (garanto-vos que dói muito mais que o parto e não há anestesia possível). Apenas nos últimos dois dias pude estar uma horita com ele e aquele abraço aberto e alegre é a melhor coisa do mundo! Mas já começa a passar e em breve poderemos estar todos juntos nesta aventura.
Nestes dias de sol tenho estado aprisionada aqui por casa e o tempo acaba por ir-se arrastando na busca de um novo ritmo em que nos vamos aprendendo a conhecer.
Quero agradecer-vos a todos as mensagens de apoio que deixaram e que me surpreenderam positivamente. Obrigada e estou de volta...
Filho com varicela. STOP.
Cegonha programada para amanhã. STOP.
Lei de Murphy activada. STOP.
Os meus esforços literários serão reencaminhados para outros fins. STOP.
Blog em stand-by. STOP.
Próximas novidades: next week. STOP.
Apareces-te sem aviso,
Como qualquer surpresa...
Desconfiei incomodada, e sem juízo
acreditei que não seria nada com certeza.
Ingénua ignorância,
bendito desconhecimento
agora que te vi e te senti, a minha ânsia
é tirar-te do pensamento.
Até já tinha ouvido falar
como outros insignificantes apontamentos mentais,
coisas marginais, a não considerar,
efeitos secundários, danos colaterais.
Inferno terrestre, purgatório vicentino.
Respeito-te agora imperatriz encolerizada!
Despeço-me (para sempre) com este hino:
hemorróida externa trombosada.
Considerando que é a minha terceira viagem por este estado de graça e de esperança reúno um conjunto de argumentos que fundamentam a tese deste post.
A gravidez é um estado especial. Diferente. Natural. Animal. Diferente, porque são meses de mutação física e hormonal, interna e externa. Natural, porque afinal trata-se de uma necessidade primária e social, associada ao instinto de sobrevivência, porque o corpo de fêmea assim foi concebido e é neste estado que se revela a função primária de muitas partes do corpo. Animal, porque é só assim que nos apercebemos que pertencemos à natureza, que apesar de racionais e superiores não controlamos nem o nosso corpo, nem a nossa alma, nem a vida que nele cresce milagrosamente.
De sonhos e pinceladas cor-de-rosa estão cheias as clínicas e os orçamentos das consultas e exames, de glamour são narradas as histórias e as expectativas nas revistas da especialidade, de sentimentos maternais e amores eternos são inspiradas as fotos dos recém nascidos, a dormir calmamente ou a sorrir.
Mas há coisas que ninguém divulga sobre a gravidez. Aqui fica o lado negro da gravidez.
Existem ainda coisas bem mais desgraçadas, a viver no parto e pós parto. Mas desses nem as revistas, nem o marketing resolvem falar abertamente.
São períodos especiais. Intensos. De extremamente boas e más experiências. De momentos eternos. De sensações íntimas. São definitivamente rituais de passagem a uma outra dimensão de mulher.
Portas de Casa
Portas do Contra
Portas de Mãe
Portas de Mulher
Portas de Pensamentos