Este é um post negro, simplesmente porque hoje há um buraco negro e vazio onde dantes estava o coração de umas famílias, ali, no Brasil.
Com a ligeirice que caracteriza os media, entre a novela da crise e o futebol dá-se nota de mais um episódio de barbárie cruel, em que um mostrengo de merda mata 11 crianças numa escola e tem o luxo de se suicidar a seguir, deixando para trás uma nota com instruções sobre o seu enterro sob os preceitos islamistas. Porquê?
Provavelmente até o vão enterrar (será que vão escrever aqui jaz um monstro que matou 11 crianças?). Como este, existiram e existirão mais abortos de humanidade. Em escolas, centros comerciais, aviões, ruas, transportes… onde as mentes alucinadas caírem. No mundo das bestas não existem regras lógicas. Só o caos da brutalidade animal estupidamente irracional e selvagem.
São seres anónimos no meio de nós que saem do armário para encurralarem outros nele. Matam inocentes e destroem famílias numa dor inimaginável, sem qualquer justificação que não um impulso diabólico. Porquê?
Nestas alturas a minha fé não resiste. E questiono-me que deus de amor e de misericórdia pode pactuar com o infligir deste sofrimento pela morte de inocentes. Porquê?
Ontem houve 22 pais a quem lhes foi sacrificado o coração e castrada a vontade de viver. Assim, de repente, sem aviso um monstro emerge e destrói o mais belo da vida. Espalha e semeia a dor e desaparece. Porquê?
Sou a favor da pena de morte. Mas nestes casos, a única forma de fazer justiça seria ensinar a sofrer a besta, tentando aproximá-la de ser pessoa, para que pudesse ter uma aproximação de consciência e uma aproximação de um arrependimento e uma aproximação de uma culpa dolorosa pelo que provocou. Aproximação, porque estes seres nunca serão pessoas. É como tentar domesticar um animal selvagem, nunca deixará de ser animal, mas sabe que tem um dono, e que existem regras se quer a comida na tigela ou partilhar um afecto.
Não teria palavras para confortar os pais, nem acredito que venham a ler isto, não imagino a angústia e a dor das lágrimas que estão a derramar enquanto a malta continua a rir-se estupidamente do vídeo do Sócrates. Neste luto que viverão até também eles morrerem fica a partilha na revolta, a solidariedade por conhecer a dimensão infinita do amor por um filho. Porquê?
A vida continua, todos sabemos. Mas para estes pais, com demasiada dor, numa cruz esmagadora. Porquê?
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