Não suporto as pessoas que são nulidades a nível profissional. Medíocres.
Pessoas que ocupam lugar, pedras na engrenagem, figuras que se passeiam de casa e do café para uma empresa onde não acrescentam valor, pessoas atrasadas desorganizadas, pessoas que desenrascam-se nas situações, que empurram as responsabilidades para a frente ou para o lado, que despacham as coisas sempre em cima do joelho, sem profissionalismo. Pessoas que inventam justificações e desculpas para não serem os protagonistas dos erros, dos atrasos, dos problemas que se arrastam sem que tenham coragem de olhar para debaixo do tapete. Pessoas que não lêem os mails e se queixam da inbox estar cheia e não conseguirem dar vazão. Pessoas que não conseguem estipular prioridades. Pessoas que são artistas em transfigurar um cenário mudando a perspectiva do problema, da dependência, da criticidade em função do que lhes convém. Pessoas que se esquecem selectivamente do que dizem, do que assumiram, do que pedem e ignoram as expectativas e prioridades alheias. Pessoas que não retornam chamadas para não serem alertadas de novos problemas. Pessoas que apenas quando delegam os problemas nos outros passam a criar níveis de urgência até ali inexistentes e a equacionarem as situações difíceis associadas aos temas.
O pior é quando estas pessoas até têm algum nível de competência.
Normalmente apresentam um grau de desmotivação elevado, aprumam a arte de procrastinar, algo entre a preguiça, ausência de profissionalismo e bluff. Foram provavelmente os idiotas que pavoneavam os livros na escola, que copiavam os exames, que se safavam com o suficiente e vangloriavam-se por isso, que falhavam os tpcs, que se encostavam nos trabalhos de grupo.
Há nesta categoria os super heróis sempre a nadarem em situações debaixo de água ou apaga fogos (postos), há os encostados que ignoram emails, telefonemas ou reuniões até que se vá falar com eles presencialmente, há os desorganizados incapazes de estabelecer uma ordem de trabalhos, cumprir um prazo, há os perdidos que simplesmente esperam pelo ordenado com o mínimo esforço possível e ainda os chico-espertos que empurram o máximo para os outros e gostam de assumir o protagonismo do bom e culpar os outros pelo mau.
Hoje vim trabalhar apenas porque o grilo pequenino parasita na minha mente persistiu, persistiu e venceu pela persistência.
Não ligo ao Carnaval. Claro que quando miúda delirava com as fantasias, mas agora poucas são as iniciativas que, dentro do orçamento, sejam opções interessantes para brincar um pouco, sem cair na brejeirice dos homens mascarados de mulheres, dos cortejos com mulheres ao frio mascaradas de sambistas do Brasil, das ruas sujas de papeis e cartazes rasgados, das gritarias e figuras tristes do pessoal aficionado por qualquer cervejola… Claro que depois há as festas glamorosas de hotéis, o eterno Brasil, Veneza…
Mas hoje entusiasmei-me. Os meninos foram mascarados para a escolinha. O mais velho no tema para o desfile da escola, a pequenina de leoa, cheia de personalidade e em tudo a ver com ela (sim, um dia há-de ser princesinha e fada… ou talvez não).
E no rebuliço da manhã da escola, com os preparativos para o desfile, com a alegria da miudagem, com as pinturas, cores, máscaras e com aquele ambiente de festa infantil, de pura alegria e brincadeira, de expectativa… fiquei com a vontade de ir assistir ao desfile. Tanto que gostaria de estar na primeira fila, na rua, a ver o meu filhote desfilar no meio de toda aquela cor. Mais um momento irrepetível que perdi.
Ainda pensei em inversão de marcha e aproveitar a manhã… mas o lado prático e profissional venceu ao lado de mãe. E só prova que quando isto acontece nunca se fica feliz. Vim todo o caminho a remoer alguma angústia e tristeza, por estas obrigatoriedades da vida que nos fazem perder estes pequenos enormes momentos.
Devia ser obrigatório poder ser mãe sempre que quiséssemos.
Este foi o bolo que fiz para a festa da escola, ficou muito giro!
Os almoços e festas de Natal da empresa são profissionais. E surge aqui o primeiro paradoxo: convívio festivo profissional. Ou se convive em ambiente festivo, ou se trabalha em ambiente profissional, o mix destes ambientes provoca sempre alguma insatisfação… Nem se festeja a sério, nem se trabalha a sério.
Depois a eterna questão: o convívio com a figura do chefe. O chefe é um gajo igual a nós, certamente gosta de conviver. Mas a personagem que encarna configura sempre a distância de tratamento da superioridade hierárquica, afinal aquele é o gajo que nos empurra to do's, exige prazos, pode dar-nos na cabeça e… nos emprega. Chefe implica convívio condicionado, não se pode fazer qualquer figura, não se pode vestir qualquer indumentária, não se pode beber qualquer coisa, não se pode fazer qualquer confidência, não se pode falar mal do trabalho. E surge o segundo paradoxo: convívio festivo condicionado. Ou se convive em ambiente festivo, ou se convive em ambiente condicionado, o mix é uma trapalhada limitada.
Juntar a malta do escritório fora do escritório. A malta são os gajos que nos aturam todos os dias, os gajos que partilham as desventuras do escritório, os gajos que remam na mesma posição para o barco que o tal chefe comanda. Sair com os/as colegas do escritório está ao mesmo nível de sair com os amigos do namorado/marido sem o moço estar presente. Até parece que temos alguma liberdade de fazer tudo, mas tudo será público e a partir daí presente na realidade do dia-a-dia. Não que se faça algo cuja natureza implique segredo. Mas há conversas, posturas, enfim, que só surgem e fazem sentido no ambiente do convívio.
E surge o terceiro paradoxo: convívio festivo impessoal. Ou se convive em ambiente festivo, ou se convive em ambiente impessoal, o mix não tem graça nenhuma.
Sendo o almoço uma pausa ao meio do dia, o almoço de Natal é sempre como um "bom momento interrompido precocemente"… A seguir há que regressar e trabalhar da parte da tarde. Não se pode beber muito, não se pode comer muito, não se pode prolongar a conversa, não se pode ir a um local muito afastado, não se pode continuar… E surge o último paradoxo: convívio festivo pausa do trabalho. Ou se convive em ambiente festivo, ou se faz uma pausa do trabalho, misturar festa e pausa abrupta é humor negro.
Daí que a maioria dos almoços e festas de Natal sejam eventos causadores de insatisfação, limitados, sem graça e irónicos. A maioria… onde trabalho até conseguimos fazer alguns almoços interessantes. E não é preciso ser Natal. Afinal de que serve fazerem-se apenas almoços no Natal?
E isto aplica-se aos encontros de Natal entre amigos distantes, entre colegas de trabalho distantes, entre familiares distantes... Para mim ou estamos durante o ano ou agora também não vale a pena. O espírito de Natal é para celebrar o amor e esse cultiva-se todo o ano.
Top 10 das coisas mais irritantes no (meu) escritório
Hoje não tenho a mínima vontade de trabalhar. Não me consigo concentrar, nem tenho motivação suficiente para o querer fazer. Sinceramente hoje o meu nível de produtividade aproxima-se do limiar da nulidade. E não tenciono mudar isso.
Tantos sem trabalho que dariam tudo pela oportunidade que tenho. Esta minha nulidade de hoje é uma heresia no mundo actual. Mas sinceramente, não estou capaz de desenvolver nada. Já dei por mim a marcar emails para tratar mais tarde, porque hoje simplesmente não dá.
E há prazos, e há responsabilidades assumidas, e há chefes e há a máquina que continua a querer e forçar que eu também entre na engrenagem. Mas hoje não consigo mesmo.
Hoje, só hoje ok?
Não é nenhum dia especial, não aconteceu nada extraordinário, não me apetece estar em nenhum sítio concreto. Só não consigo mesmo é estar aqui a trabalhar…
Eu até sou bastante profissional, mas só hoje pode ser?
E vou sair mais cedo. Porque sim.
E sim, é esta a desculpa para o estado actual do país... este povinho que não produz como os nórdicos. Eu assumo o capuz, hoje, só hoje.
Numa lógica profissional, o ser humano convive em grupos, reflecte em privado, trabalha em equipa. A dinâmica de juntar os conceitos de grupo, privado e equipa num único espaço é hilariante. A agravante de condicionar a cultura social do sul da europa no open space americano regida por um comportamento nórdico é digno do melhor humor negro.
O circo em open space:
A vida ensina-nos a viver. Vamos aprendendo, para além da sobrevivência física, mecanismos de defesa para manter a nossa sanidade e integridade mental. Sim, apesar de aos 30 anos ainda não usufruir de um historial mirabolesco de experiências, chego à conclusão que a largura de costas não é proporcional ao número de facadas com que nos tentam vergar.
Somos todos humanos, centrados nas nossas vidas e nos nossos egos. Todos temos o instinto coperliano de que o sol gira mesmo, mesmo e apenas à nossa volta. Os outros são na maioria dos momentos apenas obstáculos a suportar, contornar ou ultrapassar. O como depende apenas da oportunidade e meios que tenhamos à disposição. Somos todos animais e por muito que tentemos ignorar os nossos instintos e pintá-los com o verniz da cidadania não escapamos.
Vamos aprendendo: a suportar mais uma facada, a inflingir uma outra, a curar aquela, a esperar outra. Se deveria ser assim, não sei. Sei que se vai aprendendo a viver. Talvez demasiado à defesa.
Os sentimentos que nutrimos ou suscitamos nos outros mais não são do que o reflexo das nossas expectativas (leia-se interesses). Nem o amor, sentimento romanticamente nobre, escapa: o amor é somente o nosso interesse e necessidade em cultivar a nossa felicidade e prazer. Desculpem o striptease do conceito apaixonado.
Hoje acrescentei mais uma regra ao meu manual de sobrevivência, para além da velha questão de separar amor e trabalho, fica gravado o mandamento: não desenvolver amizade com elementos do sexo feminino no trabalho.
Voilá... c'est finit.
Termina hoje, precisamente agora à 00:00 (hora a que agendei a publicação do post, ou pensam, que apesar de ser mãe em duplicado não tenho mais nada para fazer nas noites de sexta-feira?) a minha licença de maternidade.
Perdi os 20 kg, fiz umas comprinhas para renovar os trapinhos, comprei uns acessórios, cortei e pintei o cabelo, arranjei as unhinhas (sim, ainda estão curtas) e acima de tudo... mentalizo-me a cada minuto que passa que vou regressar à labuta remunerada (que a labuta diária continua grátis).
Estou por casa desde Outubro, visto que tive imensas complicações na gravidez, especialmente no 1º trimestre e depois umas quantas ameaças de parto... (tudo pragas que me rogaram porque da primeira vez só sabia que estava grávida pelo tamanho da barriga). E sem me dar conta, passou quase um ano. Um ano difícil, cheio de sensações intensas, descobertas, surpresas, cansaço, medos e muita alegria.
Não estou stressada por regressar, nem ansiosa, nem com saudades, nem saudosista pelo capítulo que se encerra. Acima de tudo, tenho muita pena de deixar de viver para mim e para os meus a maior parte do meu dia. Deixar de prolongar placidamente certos momentos. Deixar de poder ter tempo para me preocupar unicamente com os meus problemas. E entrar de novo na rotina. Na correria matinal e vespertina.
Não posso, de um ponto de vista financeiro, deixar de trabalhar. Mesmo que pudesse, trabalharia na mesma (noutra coisa de certeza). Mas esta obrigação e responsabilidade de dever profissional trazem-me memórias que me parecem demasiado recentes. Tenho a certeza que passada uma hora no escritório, será como se não me tivesse ausentado.
Este post é apenas um desabafo. Um grito sussurrado da minha inconsciência a suspirar por dias maiores, por uma vida mais livre, por outras prioridades que me fazem mais feliz.
Ainda por cima, vivo aqui na região desertificada governamentalmente (e até podem interpretar isto no sentido literal que não foge à realidade - é crime fazer estes comentários depois da campanha eleitoral ter terminado?) e os dias aqui são cheios de sol, calor e com sabor a praia. E trabalho bem no centro de Lisboa, no meio de cruzamentos com trânsito infernal. Não me apetece mesmo nada.
Irrita-me e entristece-me esta sensação do tempo fugir pelos meus dedos sem o conseguir fixar no máximo de momentos memoráveis possível.
Este chegou-me por email... obrigado colega!
O URGENTÁRIO - FUNDAMENTAL PARA EMPRESAS EM QUE TUDO É URGENTE
| SAN | SEX | TER | SEX | QUA | SEX | QUI |
| 8 | 7 | 6 | 5 | 4 | 3 | 2 |
| 15 | 14 | 13 | 12 | 11 | 10 | 9 |
| 22 | 21 | 20 | 19 | 18 | 17 | 16 |
| 29 | 28 | 27 | 26 | 25 | 24 | 23 |
| 36 | 35 | 34 | 33 | 32 | 31 | 30 |
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